Como calcular o preço para pregão eletrônico sem tomar prejuízo: a planilha de custos
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Como calcular o preço para pregão eletrônico sem tomar prejuízo: a planilha de custos

O passo a passo para montar o preço de um pregão: custo do produto, impostos, frete, prazo de pagamento, risco e margem — e como saber o seu preço mínimo antes da disputa.

Mário Marinho

Mário Marinho

21 de outubro de 2026 · 8 min de leitura

Neste artigo
  1. 1. Custo direto do produto ou serviço
  2. 2. Impostos sobre a venda
  3. 3. Frete, entrega e exigências do edital
  4. 4. Custo financeiro do prazo de pagamento
  5. 5. Reserva de risco
  6. 6. Margem de lucro
  7. Como achar o seu preço mínimo
  8. Compare com o preço de referência
  9. Resumo prático

Resposta curta: o preço de um pregão é a soma do custo do produto, impostos sobre a venda, frete e entrega, custo financeiro do prazo de pagamento, uma reserva de risco e a margem de lucro. Antes da disputa, calcule o seu preço mínimo — o valor abaixo do qual você não dá lance.

A maioria dos prejuízos em licitação não acontece na sessão. Acontece antes, numa planilha mal feita.

1. Custo direto do produto ou serviço

Comece pelo custo real de aquisição ou produção, com cotação atualizada do fornecedor. Não use preço de memória: entre a sessão e a entrega podem passar meses.

Se for serviço, some salários, encargos, benefícios, uniformes e equipamentos.

2. Impostos sobre a venda

O peso dos tributos depende do regime da empresa.

Peça a alíquota efetiva para o seu contador. Usar um número aproximado é a forma mais comum de trabalhar de graça.

3. Frete, entrega e exigências do edital

Leia o edital buscando custos escondidos: entrega fracionada, vários endereços, horário restrito, embalagem específica, amostra, garantia estendida, troca em prazo curto.

Cada uma dessas exigências tem custo. Se não estiver na planilha, sai do seu lucro.

4. Custo financeiro do prazo de pagamento

O órgão paga depois da entrega e do ateste da nota. Na prática, o dinheiro pode demorar 30, 60 dias ou mais.

Se você vai comprar o produto antes de receber, inclua o custo desse dinheiro parado — juros de capital de giro ou o rendimento que deixou de ter.

5. Reserva de risco

Reserve um percentual para variação de preço do fornecedor, perdas e imprevistos. Em produtos com preço volátil, essa reserva precisa ser maior.

6. Margem de lucro

Só agora entra a margem. Defina dois números: a margem desejada, para começar os lances, e a margem mínima, para o seu limite.

Como achar o seu preço mínimo

Exemplo: custos de R$ 80,00, impostos de 10% e margem mínima de 8%. Preço mínimo = 80 ÷ (1 − 0,18) ≈ R$ 97,56.

Compare com o preço de referência

Confira o valor estimado pelo órgão e os preços de contratos parecidos no PNCP. Se o seu piso está acima da referência, talvez aquele item não seja para você — e tudo bem.

Resumo prático

Monte a planilha antes de cada pregão, com cotação atualizada, imposto real e o custo do prazo de pagamento. Entre na sessão sabendo o seu piso. Quem sabe onde parar não perde dinheiro no calor dos lances.